O que é Síndrome do X frágil?
Conhecida
também como síndrome de Martin-Bell, a síndrome do X Frágil é uma condição
genética que causa debilidades intelectuais, problemas de aprendizado e de
comportamento, além de diversas características físicas peculiares. Ainda que
ocorra em ambos os gêneros, afeta mais frequentemente os meninos e geralmente
com grande severidade. A Síndrome do X Frágil é a forma herdável mais comum de
deficiência intelectual moderado a grave, sendo a síndrome de Down a primeira
entre todas as causas, porém a síndrome de Down não é herdada e sim uma
fatalidade na maioria das vezes. A síndrome do X Frágil é tão comum que requer
consideração no diagnóstico diferencial de deficiência intelectual e está entre
as indicações mais frequentes para a análise de DNA, a consulta genética e
diagnóstico pré-natal. Estima-se que a incidência da síndrome ocorra em 1 em
cada 4.000 nascimentos masculinos e em 1 em 8.000 meninas. O nome “X-frágil”
refere-se a um marcador citogenético no cromossomo X, um sítio frágil no qual a
cromatina não se condensa apropriadamente durante a mitose.
Causas
Mutações
no gene FMR1 causam a síndrome do X Frágil. O gene FMR1 dá instruções para a
produção da proteína FMRP (Fragile X Mental Retardation). Esta proteína ajuda a
regular a produção de outras proteínas que afetam o desenvolvimento das
sinapses, que são as conexões especializadas entre as células nervosas e
fundamentais para passar os impulsos nervosos.
Praticamente
todos os casos de síndrome do X Frágil são causados por uma mutação na qual um
segmento de DNA, conhecido como repetição tríplice CGG, cresce no gene FMR1.
Normalmente, este segmento de DNA é repetido de 5 a 40 vezes. Nas pessoas com a
síndrome do X Frágil, no entanto, o segmento CGG repete-se mais de 200 vezes.
Essa anormalidade ‘desliga’ o gene FMR1, o que o impede de produzir a proteína
FMRP. A perda ou a deficiência desta proteína interrompe as funções do sistema
nervoso e leva aos sinais e sintomas da síndrome do X Frágil.
Fatores de risco
Homens
e mulheres com 55 a 200 repetições do segmento CGG tem o que se chama uma
pré-mutação do gene FMR1. A maioria das pessoas com uma pré-mutação é
intelectualmente normal. Em alguns casos, no entanto, indivíduos portadores da
pré-mutação tem uma quantidade menor que a normal de proteínas FMRP. Como
resultado disso, podem desenvolver moderadas versões dos traços físicos da
síndrome do X Frágil (como orelhas grandes) e pode ter problemas emocionais
como ansiedade ou depressão. Além disso, as mulheres que são portadoras da
pré-mutação podem apresentar falência ovariana precoce (entrando na menopausa
mais cedo).
Sintomas de Sindrome do X frágil
Os
indivíduos afetados pela síndrome do X Frágil geralmente tem um atraso no
desenvolvimento da fala e da linguagem aos dois anos. A maioria dos homens com
a síndrome do X frágil tem de ligeira a moderada deficiência intelectual,
enquanto cerca de um terço das mulheres afetadas são intelectualmente
deficientes.
Crianças
com a síndrome do X Frágil podem também ter ansiedade e comportamento
hiperativo, como inquietação e impulsividade. Podem sofrer ainda de Desordem do
Déficit de Atenção (DDA), o que inclui não conseguir prestar atenção e
dificuldade de concentração para tarefas específicas. Cerca de um terço dos indivíduos
com a síndrome do X Frágil tem as características do autismo de amplo espectro,
desordem que afeta a comunicação e a interação social. Convulsões ocorrem em
cerca de 15% dos meninos e 5% das meninas afetadas com a síndrome do X Frágil.
A
maioria dos homens e cerca da metade das mulheres afetadas pela síndrome traços
físicos característicos que se tornam mais aparentes com a idade. Esses traços
físicos incluem a face longa e estreita, orelhas largas, mandíbula e testa
proeminentes, dedos estranhamente flexíveis, pés chatos, e nos homens,
testículos grandes (macro-orquidismo) depois da puberdade.
Buscando ajuda médica
Os
problemas de saúde nas pessoas afetadas pela síndrome do X Frágil geralmente
estão relacionados ao sistema nervoso – tremores, coordenação ruim, ansiedade e
depressão em alguns casos.
Mulheres
que apresentam alterações genéticas menos severas podem ter menopausa precoce
ou problemas de fertilidade.
Diagnóstico de Sindrome do X frágil
O
diagnóstico clínico da síndrome do X Frágil é muito difícil, devido às
circunstâncias diversas dos sintomas e sinais apresentados. Durante os anos
1970 e 1980, a única ferramenta disponível para o diagnóstico da síndrome do X
frágil era o teste de cromossomo (citogenética). Embora tenha sido útil, não
era sempre preciso. Na década de 1990, cientistas identificaram o gene FMR1,
que causa a síndrome, e a partir daí testes de DNA tornaram-se disponíveis. O
teste do gene FMR1 passou a substituir os testes de cromossomos e tornaram-se o
teste padrão para determinar a presença do X Frágil. Testes de DNA tem
excelente precisão, detectam mais de 99% dos indivíduos portadores (homens e
mulheres) da síndrome do X frágil.
É de
extrema importância estabelecer o diagnóstico preciso da síndrome,
especialmente quando se trata do primeiro caso identificado na família. Uma vez
localizada a mutação pode-se impedir que ela seja transmitida para as gerações
futuras.
O
teste de DNA deve ser recomendado para indivíduos de ambos os sexos que
apresentem deficiência intelectual e de desenvolvimento, autismo e histórico
familiar de síndrome do X Frágil.
O
diagnóstico pré-natal da síndrome do X Frágil pode ser feito no embrião, do
qual uma célula é retirada para análise dos genes. Casais com histórico da
doença submetem-se a procedimento de fertilização in vitro para que os embriões
gerados sejam analisados.
Em
toda criança com comportamento autista deve realizar o teste molecular para
síndrome do X Frágil.
Tratamento de Síndrome do X frágil
Por
ser uma condição genética, não existe tratamento para síndrome do X Frágil. Os
sintomas mais acentuados de ansiedade e depressão podem ser tratados com
medicação apropriada.
Por
outro lado, avanços pedagógicos e psicológicos ajudam as crianças afetadas a
terem um melhor desempenho escolar, bem como uma vida social mais saudável.
Prevenção
A
única forma possível de prevenir o advento da síndrome é por meio de
aconselhamento genético. Uma análise do histórico familiar e testes genéticos
para detectar quais mulheres na família carregam a mutação genética da síndrome
do X Frágil.
Casais
com histórico familiar de síndrome do X Frágil podem submeter-se a
procedimentos de fertilização in vitro e terem seus embriões geneticamente
analisados, é o que chamamos de siagnóstico genético pré-implantacional (PGD).
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